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O Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ recebeu hoje a notícia do falecimento de Sergio Miceli Pessoa de Barros com muita tristeza. Sergio Miceli, nascido em 1945 no Rio de Janeiro, era professor titular na Sociologia da USP. Cursou a graduação na Escola de Sociologia e Política da PUC-Rio, onde foi contemporâneo de vários colegas que se tornaram depois professores do PPGAS/MN. Compartilhou bibliografias e planos de profissionalização com Lygia Sigaud, sua mais próxima colega de turma, mas Lygia optou pelo nascente mestrado de Antropologia no Museu Nacional, enquanto Miceli escolheu as perspectivas que se abriam diante de sua aprovação no mestrado da USP. Miceli trilhou caminho próprio e inovador diante do repertório então existente na Sociologia da USP, desenvolvendo uma sociologia da cultura que se apoiava nas obras do pouco conhecido jovem diretor de pesquisas na Escola de Altos Estudos de Paris, Pierre Bourdieu. Ainda doutorando, Miceli ousou propor a organização de uma coletânea original de artigos de Bourdieu, A Economia das Trocas Simbólicas, que muito contribuiu para a recepção precoce daquele autor no Brasil. Com sua tese, defendida ao mesmo tempo na USP e na EHESS — nesta última sob orientação de Bourdieu —, Miceli partiu de certas características de autores literários brasileiros para propor uma análise da relação entre campo intelectual e classes dirigentes, ancorada empiricamente, numa perspectiva inusual até então nos estudos sobre o pensamento social no Brasil. Sempre na linha de uma sociologia dos agentes culturais, continuou seus estudos sobre diferentes setores intelectuais na sua relação com o campo do poder, seja a formação da elite eclesiástica nacional, seja a trajetória ascendente de autores das artes plásticas brasileiras. Organizou, na virada dos anos 80 para os 90, uma História das Ciências Sociais Brasileiras em 2 tomos, e teve a iniciativa, durante seu período como secretário-geral da ANPOCS nos anos 90, de fundar a Revista Brasileira de Ciências Sociais. Sua atividade editorial remonta ao início dos anos 70, quando foi diretor da Revista de Administração de Empresas da FGV-SP (onde promoveu muitos artigos de jovens autores em ciências sociais), até suas gestões posteriores na direção da EdUSP. No que diz respeito à história do PPGAS, Sergio Miceli teve uma presença marcante nas homenagens póstumas para aqueles que foram seus colegas e amigos de longo tempo: na organização da mesa em homenagem a Lygia Sigaud na ANPOCS de 2009; no seu testemunho no seminário em honra de Gilberto Velho na Academia Brasileira de Ciências, no Rio, em 2012; e, finalmente, sua participação nas homenagens a Afrânio Garcia Jr. neste ano de 2025. Além de organizar, em junho passado, o colóquio da USP em homenagem ao colega de muitos anos na promoção do intercâmbio entre as ciências sociais do Brasil e da França, Sergio participou online das Jornadas Afrânio Garcia realizadas na semana passada na EHESS e na Maison du Brésil, em Paris. Seu testemunho precioso e bem-humorado já se deu nas circunstâncias de sua internação hospitalar. A atuação marcante de Sergio Miceli como professor na FGV, na Unicamp e na USP será sempre lembrada por seus alunos e colegas; sua importante participação na construção das ciências sociais brasileiras já está inscrita na história dessas ciências que ele mesmo tanto estudou. O PPGAS/MN/UFRJ manifesta seu grande pesar à família, aos amigos e aos estudantes de Sergio Miceli. José Sergio Leite Lopes Os comentários estão fechados.
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Histórico
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